Um pedaço de tarde.

Princesa, me salva. Não! Saia daqui, sua chata. Aaah! Meu Deus, que menina grossa. Eita, achei um carrinho. Toma. Não é teu. Aaaah. Deixa de grito! Toma. Não é teu. Bota na garagem. Ah, errou. kkk. O meu entrou na garagem. Cadê os carrinhos? Ah, ela escondeu. Pera, eu vou pegar. Toma. Esse é um carro voador. O meu não voa. O meu voa! Eita, pega aqui no meu pé. Nããããão, faz cosquinha. Eu vou entrar pelo cachorro. Haahaha. Briga de carro, briga de carro. Bum! Quem vai ganhar? Quem vai me acertar? Eu pulo! Errou. kkk. Tenta me acertar, fofinha. hahaha. Eu vou no meu avião. kkk. Que foi? Foi no dente dela. Peça desculpa. Não. Vou sequestrar o carro. Não. Eu vou sequestrar o de Luli. Não. Peguei. Olha aí, tá vendo? Você é um ladrão? Não, sou amiga. O carrooo de ourooo. Puft! Vou trocar de carro. Ô gabi! O povo aproveitou o feriado pra viajar. Sai. Toca a campanhia. Quem é? É o ladrão. Solte. Sai daí. Sai daqui. hahaha. Não.Vou colocar um telhado. Ninguém vai ver. Ah, não bole não. Eu arrombei o telhado. Cadê o secretário? Ele tá onde? Cuidado com a cabeça de Luli. hahaha. Eu ia achar é bom, ia rir bem muito dela. Isso não se faz. Eu vou roubar. Ah, rouba. Rouba o meu! Não, vou roubar o dela. hahaha. Toma. Puft! Qual é o seu? Vou roubar o de ouro. Vem roubar. hahaha. Cabeça oca! Eu sou muito esperta. Au, au, au. kkk. Cachorro mau, mau, mau. Tem um bicho nas tuas costas. Aqui. Paft! Aqui, aqui. Paft! Ai. Assim não. ZzzZzZzzZZZzz. Eu peguei o pano. hauahuahaua. Tu vai esconder o pano aí é? kkk. Que foi? Vou, na minha calcinha. Me ajudaa. Me dá. O carro de ouro. Dá à ela. Não quero mais. Não vou dar, agora é meu. Eu tenho só um brinquedo. Me dá. Me dá agora! Aaaaar!!! Paft! Daqui a pouco vai apanhar! Vai pro chão. Atchiiim. Saúde. Eu, curiosa. Coisa feia. hehehe. Rapaz, caí, visse? Cuidado pra não se arrebentar. Que foi? Oxe, tu num tava dormindo? Quem quer o carro de ouro? E esse caderno? É meu. Me dá. Não, não. Me dê o carro. Dê esta merda a ela. O carro? É. Quer fazer ela de besta, rapaz. Não tome o caderno dela. Ela cuspiu. Cuspiu. Cuspi não. Cuspiu! Não. Tome. Luiza, venha cá. Me dê o caderno. Eu troquei. Ela não foi pegar. Sem gritar, se não você vai pro calabouço. É. Cala a boca. hahaha. Tu vai, visse? Vai vocês duas. Ó a malcriação. Eu tô aqui. Buáááá. Eita, errei. O negócio dela é brincar pra destruir. Aaah. Chega. Sai da minha casa. Não. Você que sai. Sim. Sai. Saaaai. Eita. kkk. Eu quero. Brinca aqui. Caiu. Puft! Cansou? Vamo tomar banho? Nãããão! E esse cheirinho? Gabriela! Alô? Oi, tá certo. Vai sair agora? Cuidado pra não cair. Sobe sem abrir a gaveta. Eita. Hoje tem jogo sport x náutico. Cadê teus desenhos? Aqui. É tudo teu? Oxe, tu já tá aqui. Meus dois livros. É de quem? Eu jurei que eu ia ficar com a coluna doendo...meus pés tão doendo, inchados. Jurei que minha coluna ia ficar lascada. Some daqui. Minha coroa, meu vestido. E é? Esse é teu castelo? É, minha coroa. Isso é o quê? É teu? Aqui é minha casa. Gabi fez isso, isso e isso. Ó papai. Quem fez? Gabi e Gabi. Olha a sereia. Cadê? A bruxa. A bruxa apaixonada pelo gato. O vestido dela. Verde com rosa. Olha o cabelo dela. A nuvem e o sol. E o céu. E o céu. Olha aqui. Foi tu que fez? Quem tá aqui dentro? As meninas. Eu, papai e mamãe. Oxe, tua mãe é a bruxa é? Não, é tu. kkk. Eu sou a princesa. Cala a boca! Eu sou todas as princesas. Respeite! Ela é sua irmã mais velha. O cachorro aqui, vendo a lua e a aqui vai ser a parada. Senta ele e depois abre.










UFA! 10 minutinhos da minha tarde hoje. :P

Há o ar livre?

Ao ar livre. O que isso significa? O ar nunca é livre! E o livre é relativo e puramente efêmero.
O ar é anestésico para os amores desvairados; é confortável. Mas quais são esses amores? Pros iguais, é exaustivo, desconfortável. O ar é um sincretismo concreto. Sem proteção.
O ar dos campos, das praças, da sua casa deveria ser livre. Livre. Liberdade. Nostalgia hippie.
Carinho. Amor. Beijos. Abraços. Gestos singelos de pureza e grandeza humana, sem necessidade de repreensões.
Quero ar livre, respirável, respeitável.

Banalidade (?)

Reforçar a profética mídia no âmbito gastronômico se transformou em Status, e vai muito além do glamour da figura do Chef.
Ser crítico gastronômico, atualmente, deixou, e continua sendo, de uma forma ou de outra, em alguns casos, puro prazer. Prazer este que deve ser repensado, pois difere dos padrões de antigamente. Hoje, ser crítico gastronômico se resume (para alguns) a conhecer os estabelecimentos de A & B, comer de graça e escrever algum agrado. Não que todos o façam, mas os novos aspirantes pensam que é dessa forma que a coisa funciona! Isto é um ato sepulcral da gastronomia...e da crítica!
Jornalistas que tendem para esta vertente jornalística e estudam para isso devem ser mais respeitados e valorizados. Gastrônomos também o podem fazer, mas é necessário um estudo, no mínimo, teórico de jornalismo e entender o que a palavra crítica significa. E com essa (des/re [?]) valorização do jornalismo atualmente, tem que se saber escolher bem os profissionais da área. Um jornalista pode ser ótimo escrevendo a matéria, mas péssimo no sentido de observação de valores do restaurante, enquanto um gourmet pode ser perfeito na qualificação dos valores, mas um péssimo redator. Ou os dois podem ser bom nas duas coisas!
Muitas pessoas imaginam e crêem na crítica como um julgamento, uma sentença de morte. É importante retirar essa trovoada de idéias errôneas do pensamento humano por meios que lhe provem o contrário. Isso confunde as pessoas no início, mas, com os estudos e a leitura frequente, elas passam a analisar de forma distinta e, corriqueiramente, passam a recorrer à matérias de críticos, buscando sempre novos horizontes.
Críticos gastronômicos de jornal não são o Guia Michelin, apesar de serem fator primordial de influência popular. Quando um crítico chega a um restaurante, ou marca uma reserva para analisar um novo estabelecimento, um novo prato, etc., tudo vira um inferno! Tem que estar tudo tão perfeito, que às vezes chega a ser um ideal inalcansável para a rotina do local. Às vezes os clientes são até esquecidos, mal atendidos, porque só se dá atenção ao crítico. E um bom crítico deve estar atento ao funcionamento como um todo e não apenas de modo parcial.
Além da crítica, é fundamental incluir (ou não excluir) a gastronomia da linha cultural. A gastronomia é integrante do Jornalismo Cultural e merece destaque tanto quanto a música, o teatro e a literatura.

Laboratório - Literatura & Crítica


Ontem, no Teatro Hermilo Borba Filho, aconteceu um evento muito interessante. Focado para a discussão da crítica literária, o evento aborda a importância do mesmo. É legal ver que houve público, pena é notar que continua sendo o mesmo público seleto de todos os eventos literários que acontecem por aqui.
Intitulado como "Crítica: para quê?", o evento comportou várias questões e reafirmou a importância da leitura, do pensar, do reler, do repensar, do aprender e apreender.
O encontro acontecerá toda segunda terça-feira do mês, no Teatro Hermilo, às 19h. Compareçam. Vale muito.

A importância dos Congressos

É, eu sempre julguei os Congressos um meio fútil. A maioria das pessoas vão para se divertir, conhecer pessoas, beber até não poder mais e nem pensam em assistir as palestras oferecidas.
Semana passada eu estive presente no II CONAG, que foi sediado no Hotel Praia Mar, em Natal - RN. Cheguei como toda boa aluna (se é que isso é ser boa aluna) : aplicada, não falei com quase ninguém e estava de ouvidos aberto pra tudo!! Conversei só com o primo da minha amiga, pois estava hospedada na casa dele e, mesmo assim, foi só após o término da abertura do congresso.
Segundo dia de congresso. Um colega meu, Lourenço, encontrou comigo logo no início. Assistimos a primeira oficina "A nova cozinha sertaneja", palestrada pelo Chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó SP. Estava super atenta a todos os movimentos, anotando tudo que julgava interessante e diferente. Final da palestra, fotos e mais fotos e entrevista pra tv local. A palestra acabou mais cedo do que o esperado. - "Ah, vamos dar uma volta na cidade, fazer um roteiro histórico-cultural nesse tempinho." Fomos. Visitamos o Museu Café Filho, a Casa de Câmara Cascudo e voilà. Que passeio extupendo! Foi muito bom. Fomos almoçar no Midway, já como não conhecíamos nenhum restaurante local. Mas foi legal. Voltamos ao congresso para assistir a palestra "Panificação Clássica Brasileira", palestrada pelo Chef Rogério Shimura, SP. A palestra foi tudooo de bom. Realmente não esperei que fosse tão boa. Acabou cedo novamente e tínhamos mais de 2h para esperar pela palestra da noite. Mas decidimos não sair. Fui comprar um livro e sentei com Lourenço. Nisso, conhecemos uma galerinha por lá. Pessoas finíssimas. Conversamos e acabamos nos juntando na palestra da noite. Acabou, cada um foi pro seu lado.
Terceiro dia. A galerinha da noite do dia anterior já chegou falando. Após a oficina da manhã, que foi maravilhosa também, umas meninas de Gastronomia da UNP me chamou pra almoçar com elas. Fui. Restaurante aconchegante, comida legal, mas nada diferente do que eu tenho acesso em Recife. Comemos, tiramos fotos, trocamos experiências, contatos. A palestra da tarde chegou e foi um fiasco. Odiei, mas nada que não seja comum em um congresso (pelo menos foi isso que me falaram). Enfim, nessa palestra terrível, os laços de amizade se entrelaçaram e surgiram várias conversas legais com pessoas que eu não tinha tido oportunidade de conversar anteriormente. A espera para a palestra da noite foi super produtiva. Conheci o intérprete de LIBRAS da UNP e os deficientes auditivos de Gastronomia da UNP. Super produtivo. Fazia tempo que eu não conversava em LIBRAS e relembrei muitas coisas que já vagavam perdidas na minha mente. Último dia, última palestra e logo depois ia ter uma confraternização em um bar badalado da cidade. A última palestra foi super legal, estabeleci contatos com os chefs, troquei e-mails (e até telefone!) e consegui um estágio em Sampa nas férias de julho. Congresso finalizado = festa. Chegando ao bar, sentei na mesa dos professores com Ana e Bel, da UFRPE. Super deslocadas era pouco para o que nós estávamos lá. Quando estávamos saindo, conheci uma galerinha da UFC super simpática, pena que eu já estava indo embora. No outro dia, marquei um almoço com as meninas de turismo da UFRN no Mangai, um restaurante estilo o Parraxaxá. Comi iguarias potiguar, como a carne de sol na nata, arroz de leite (arroz vermelho, ou da terra, como preferir). Muito boooom e valeu super a pena. Por causa desse almoço, perdi o ônibus de volta. Por causa dessa perca, conheci a vovó de Helen e uns amigos africanos dela. Mais intercâmbio cultural, um treinozinho do francês, umas trocas gastronômicas e ainda tive direito de escutar um dialeto africano que não lembro nem o nome!!
Tudo que eu julgava de fútil em um congresso foi esquecido. Não bebi de me acabar (até porque nem bebo), repensei sobre o fato de conhecer pessoas ser desnecessário (foi muito importante) e adquirir novos conhecimentos foi tudo. O intercâmbio cultural é fundamental e, mesmo quando você acha que não vai haver, ele sempre aparece e é inesquecível. Voltei sem querer voltar, achando que minha vida deveria ser em um congresso. E reativei a vontade de ser docente, conferencista e estar sempre rodeada de pessoas de diferentes culturas. E despertei a vontade de ser congressista pelo resto de minha vida. Que venha muitos e muitos congressos pela frente! Estarei presente em todos que eu puder.
Posts detalhado sobre o II CONAG virão logo logo.

Afetividade

A cozinha é identidade, discurso. Apropriação. Não é a origem que define, é a expressão cultural adquirida que gera o "meu", o "nosso". Essa é a formação do paladar.
A gastronomia é como uma língua, se comunica, extrapola horizontes, se expressa. É na cozinha que se materializa o afeto, que se reforça a união familiar. A cozinha é que nem coração de avó. A nostalgia se reflete na comida da vovó, dessa forma de concretiza o grito negativo à palavra 'imaterial' doada como referência alusiva à gastronomia. Nos pratos dessa avó, dessa mãe, recheado de sabores e saberes, se cria identidade. A lembrança é única, profunda, caracterizada apenas pela saudade do sabor, do cheiro, da festa, da reunião em família aos domingos, dos tachos de doce, da fruta fresca do pé, das brincadeiras infantis na areia, do bolo saindo do forno... A lembrança é tanta que, se voltássemos no tempo, seria possível acharmos que algo havia mudado, pois no quadro de recordações tudo era mais perfeito, mais colorido, o doce era mais doce e a comida mais gostosa. Tudo já está materializado, fixado, concretizado e nada mais devolve nem retira e nem despreza o apego saudosista.

Rolo à mesa


Bem, acho que não é segredo o fato do tão amado Bolo de rolo ter recebido o título de Patrimônio Imaterial de Pernambuco (ver post anterior). Também acredito que não seja desconhecido o fato do bolo de rolo ser uma iguaria oriunda dos portugueses; foi inspirado em receitas portuguesas e recheado genuinamente com a nossa pernambucanidade. É como diz o ilustre Gilberto Freyre em seu livro Açúcar (1987), ressaltando a importância da goiabada: “a marmelada, o caju e a goiabada tornaram-se desde os tempos coloniais, os grandes doces das casas-grandes”.
O bolo tem uma forma única de preparo. As finíssimas camadas de pão-de-ló são recheadas com uma pasta de goiabada que devem ser enroladas cuidadosamente para não rachar e garantir uniformidade ao bolo, que acompanha perfeitamente bem com uma deliciosa e farta fatia de queijo de coalho.
Patrimônio imaterial = tradição, cultura, preservação. A cultura gastronômica oferece informações sobre um grupo étnico, onde a comida não é apenas um alimento, mas um estilo de vida, revelando costumes, origens, pois expõe crenças, clima, topografia, história, agricultura, pecuária, ou seja, a essência de um povo. Justamente por tais pontos que o símbolo pernambucano foi adotado como tal. A receita foi protegida, conservada e valorizada por sua importância cultural, histórica e gastronômica, claro. Apesar de haver modificações quanto ao recheio (se encontra várias versões, desde o doce de leite ao chocolate e maracujá), a tradição não foi perdida, a original não foi esquecida nem se escondeu nos labirintos da memória dos que preparam nem dos que degustam. Não é à toa que muitos pernambucanos, ao viajar, levam rolos e rolos e mais rolos para presentear amigos, parentes; e também não é por acaso que muitos turistas são loucos para conhecer o símbolo do Estado. Muito menos foi por mera coincidência que instalaram um quiosque exclusivo de bolo de rolo no Aeroporto dos Guararapes, para que todos tenham acesso, principalmente aqueles que, no corre-corre do dia, esqueceram de comprar o amuleto da viagem, a alegria do café da manhã e/ou do lanche da tarde.
O bolo de rolo foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pela Lei Ordinária Nº 379/2007. Enfim, uma delícia de patrimônio!